... No domingo à tarde, dia 22 de julho, estava no quarto, tentando tirar leite para a Aninha, quando chegou no quarto uma assistente social e começou a fazer algumas perguntas, referentes a minha gravidez atual e a gravidez anterior. Achei meio estranho, mas talvez era um padrão do hospital. Comentei com o Fer e ele disse que não tinha nada de errado, que era impressão minha...
Na segunda pela manhã, ao irmos na UTI neo, pedimos os documentos para registrar a Aninha, mas a menina da recepção falou que a médica precisava conversar conosco antes de emitir o documento e que no momento ela estava ocupada, mas que assim que pudesse ela iria nos procurar no quarto,
Assim foi, à tarde chegou ao nosso quarto a médica e junto com ela a assistente social..
Ela nos perguntou se já tinhamos ido ver a Aninha e dissemos que sim. Se não tinhamos percebido nada diferente nela... Eu já havia visto 2 crianças prematuras, a Fernandinha e a Weidy, mas quando elas já estavam quase saindo do hospital. Não fazia idéia de características específicas de quando elas haviam acabado de nascer. Sabia também que a Aninha seria pequena e magrinha... imaginem só um bebê de 1300 kg e 37 cm... Mas não era isso... A pior noticia da minha vida veio neste momento....
A Aninha tinha Sindrome de Down (SD)... Mas como? Ela era tão linda... E os exames que fizemos durante a gravidez... estavam todos ok. Já havia lido em algum lugar que o US de TN poderia não identificar, mas acontecia apenas em 5% dos casos e imagina se eu iria fazer parte destes 5%? Nunca!
Retrucamos a médica e a assistente social... A médica foi fria e insensivel, é assim e pronto. Vamos fazer um exame só para comprovar... o resultado sairá daqui a 1 mês, mas para nós não há dúvida, as características são todas de uma criança que tem SD. Como assim? Eu não estava vendo nada... A minha Aninha só era pequena e magrinha... não tinha mais nada... Comecei a chorar e não parava mais. Queria que aquele momento não tivesse ocorrido nunca. A assistente social começou a falar que tinhamos que agradecer a Deus, porque se fomos escolhidos por Ele para ter uma criança com SD é porque Ele sabia que éramos capazes de cuidar dela com amor e carinho... Eu não queria saber, queria a minha filha linda e perfeita... Imagina só quando a minha família soubesse que a nossa filha tinha SD. E os meus amigos então? Como eu iria enfrentar as pessoas? Todos as pessoas que eu conhecia voltavam pra casa com uma criança perfeita. Estava preparada para cuidar de uma criança prematura, mas de uma criança espcial, não mesmo! Chorei o resto da tarde (eu e o Fer), não conseguia me imaginar na situação atual que estava vivendo... Meu Deus, porque comigo? Já sei, foi porque deixei para engravidar após os 35 anos... Ou será que estávamos sendo castigados por alguma coisa que fizemos de errado? Não conseguia achar respostas... Pegamos as fotos da Aninha e começamos a analisar... Não havia nada, nenhum detalhe que pudesse nos levar a uma criança com SD. Já sei, os médicos estavam errados e o resultado dos exames seria negativo... Mas mesmo assim, teria que esperar 30 dias para ver o resultado... Seria apenas no dia 21 de agosto... Aff
Quando voltamos para casa, decidimos que reuniriamos a nossa familia, e falariamos para eles, sobre a suspeita dos médicos...
Falamos com a Jussara e familia, que nos deu muita força e disse que assim como nós, não acreditava nos médicos...
Na casa da mãe do Fer, foi aquele silêncio, mas também nos deram muita força.
Na casa do meu pai, a mesma reação... mas vi que meu pai ficou muito abatido.
Nós falamos com um nó na garganta e nem ficavamos para ver as reações... era muita dor pra nós...
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